Malhadas à moda antiga

Malhadas à moda antiga estão de regresso

Há 40 ou 50 anos, os trabalhos relacionados com a recolha do centeio – segada, carrada e malhada – eram dos mais árduos da lavoura. No entanto, apesar da quase escravidão a que o corpo era submetido nesse período, a alma dos homens e mulheres que, do nascer ao pôr-do-sol, se entregavam a essas tarefas, mantinha-se alegre.

Pelo menos é isso que garante quem atravessou essa época. “Éramos pobres, trabalhávamos muito, mas tínhamos muita alegria... Não era como agora... Anda tudo cheio de boa vida, mas sem entusiasmo”, recorda Jaime da Silva, natural da aldeia de Solveira e responsável pela organização da malhada à moda antiga.

Jaime, quiz “matar saudades desse tempo”. Por isso, pôs mãos à obra, quando começou a fabricar os malhos de madeira para separar a espiga do centeio da palha, um trabalho que agora é feito por sofisticadas máquinas agrícolas. “Já tenho 12 prontinhos”, disse, lembrando que já teve também contactados os homens que utilizariam artefactos, até porque eles tinham que ensaiar antes de começar a malhar. “Isto não é brincadeira. Os malhos têm que bater certinhos, se não, em vez de malharem no centeio, malham uns na cabeça dos outros”, explica.

Requisitadas estavam também as vacas, para levar a palha à eira onde vai decorrer a malhada. “Em Solveira, já não há juntas de vacas de trabalho, fomos pedir umas a Pedrário”, conta o septuagenário, que vai aproveitar a iniciativa para expor e experimentar um conjunto de ferramentas agrícolas e malhadeiras de diferentes épocas. Peças que vai comprando “aqui e ali” e vai acumulando em casa. Esta “mania” já lhe valeu, inclusivamente, a alcunha de “ferragacheiro”.

Esta iniciativa teve o apoio do Ecomuseu de Barroso e da Junta de Freguesia local.