Historial

A freguesia de Solveira, que demora junto à raia, nas abas da serra do Larouco, é muito rica em dados arqueológicos. Em 1904 a célebre "Revista Lucerna" dava conta da existência de diversas antas perto da povoação; de inúmeros topónimos de sentido visivelmente eneolítico; de objectos da Idade do Bronze.

De facto, diversas fases da pré-história encontram-se aqui documentadas. Ao junto do ribeiro de Forcados, ergue-se o Castro de Soutelo, com vestígios de mura­lhas de pedra e terra miúda, e de um fosso do lado nascente (o mais acessível e, por isso, menos defensável por natureza). A sul e sudoeste do castro foi encontrada muita té­gula, restos de cerâmica, ruínas de edifícios, alicerces de casas e molas manuárias. Junto do castro a tradição coloca uma povoação. Conhecida por Cidadonha, topónimo de ex­pressivo significado arqueológico.

Cidadonha só por si denunciaria a existência de um castro ou povoação extinta. Cerca de meados deste século, um pouco acima da ponte do sítio de Mandiz, ainda se viam as ruínas de um castro, com sua muralha, desprovida de fosso, a qual devia ser a defesa da "cidadonha" vizinha. O castro de Soutelo tinha forma triangular e é possível que alguma vez esta fortificação tivesse sido mais que um simples castro, que existiu, pelo menos, originariamente. Povoação junta, houve-a qua­se seguimento, chegando o povo a dizer, em tempos, que a povoação de Soutelo fora uma cidade. Em Solveira há ainda a notar os sítios de Pai Mantela, Antas e Moinhos da Gola, com indícios e tradição de venerandas relíquias de velhas civilizações.

Em 1961 foi aqui feito um importante achado de quatro objectos de bronze: um machado de talão, duas pontas de lança e um instrumento com forma de garfo de trinchar. O achado encontrava-se sob um soalho de terra a cerca de 6 metros de distância de um regato, havendo um rego subterrâneo, coberto de lajes líticas, ligando os dois pontos. Parece ser lícito pensar na existência de uma antiga mina, obstruída há milénios. Os utensílios que compõe o achado em referência são do Bronze Final, daquela época em que o homem começava a deixar a vida de caça­dor errante para se fixar à terra. O precioso achado de Solveira deve ter uma idade que ronda os três mil anos.

O topónimo principal da freguesia apresenta indícios de ser anterior Nacionalidade, pois aparece documentado antes do século XI, embora noutros pontos do País. Decerto uma "villa" rústica foi, com S. Miguel de Vilar de Perdizes e Santo. André, uma das seis denominadas "honras de Barroso”, pelo menos nos fins do século XVIII, no julgado medieval deste nome, e formaram as três uma só paróquia: S. Miguel de Vilar de Perdizes. Desde 1841 até à sua extinção em 21 de Dezembro de 1853, o concelho de Ervededo abrangeu a freguesia de Solveira, que havia sido criada, ou restaurada, dentro da de S. Miguel nos fins do século. XVII. O facto de ter sido um lugar daquela paróquia fez com que o vigário, calado, fosse apresentado pelo reitor de S. Miguel, como sua igreja matriz. Parece que, quando se erigiu a freguesia de Solveira, noutra altura já aqui era muito antiga a Ermida de Santa Eufémia, devoção que, em muitas partes, ascende a tempos anteriores à Nacionalidade, o que tam­bém aqui poderá ter acontecido.

Consta que o território desta freguesia sofreu grandes destruições durante a Guerra da Restauração, especialmente nos inícios, pois que os exércitos da fronteira galega o saquearam e incendiaram em represália das devastações causadas pelos portugueses comandadas par D. João de Sousa, parece que as nossas tropas arrasaram algumas povoações do vale de Salles, o que terá sido perfeitamente natural, dada a situação destes lugares em plena raia.